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Artigo: Espiritualidade: Eis o Amor!
Data: 31/10/2013
Categoria: **Espiritualidade

É sempre desafiante tratar do Amor, ainda que muitos pensadores – bastante gabaritados – já tenham se debruçado sobre o assunto. Inesgotável e infinito, o amor perpassa todas as realidades, penetra todos os relacionamentos, envolve a vida de todo homem e de toda mulher. Mas afinal, o que é o Amor? Quem é o Amor? O que faz? De onde vem? Estas perguntas, guardadas no coração de tantos, fazem-nos perceber que o Amor, embora seja comum a todos, não é óbvio; embora seja acessível a todos, não é compreendido; mesmo envolvendo a vida de todos, não é conhecido.

“Deus é amor[1]”, afirma-nos a I Carta de João, concedendo de forma extremamente objetiva uma resposta às nossas indagações. Este “grito” de São João nos remete à Pessoa de Deus como sendo, Ele mesmo, o próprio Amor. Superando o parecer de tantos sábios e filósofos, as Sagradas Escrituras nos apresentam o verdadeiro rosto do Amor: Deus!

Assentado sobre este horizonte que encerra “o centro da fé cristã[2]”, o papa emérito Bento XVI, com extrema coragem e sabedoria, encarando a amplidão do tema, presenteou-nos com uma primeira encíclica – Deus caritas est – que nos aponta diversos elementos fundamentais acerca do Amor. Com a clareza e a profundidade teológica que lhe são próprias, o papa emérito discorre sobre o Amor e a prática caritativa eclesial, desvelando-nos, linha a linha, o mistério da verdadeira Caridade que move a vida e a missão da Igreja.

Detenhamo-nos, por ora, no valioso trecho em que Bento XVI destaca “o amor na sua forma mais radical[3]”, fazendo-nos contemplar a entrega de Cristo à morte de Cruz. Sim, eis o Amor! – Qual Amor? – O Total! O Pleno! É o próprio Sucessor de Pedro que, lançando um olhar para o lado aberto do Cristo na Cruz, define “em que consiste o amor[4]”. Encontramos, no Cristo ofertado, o amor que procuramos conhecer. E é também nele que encontramos o sentido de nosso próprio amar.

O Amor é a própria essência de Deus, sendo também sua maior e mais plena manifestação. O homem, imagem e semelhança deste Deus-Amor, encontra também na caridade a sua inteira realização. Dentro desta compreensão, concluímos que “o amar”, para o homem, não é simplesmente uma opção ou conveniência, mas é o coração de sua existência. O amor, longe de ser uma imposição, é apelo do ser para ser em plenitude, encontrando na oferta amorosa de Cristo um misterioso e inquietante modelo de felicidade.

Voltamo-nos, todavia, à infeliz realidade de muitos homens e mulheres do nosso tempo, afundados em diversas experiências medíocres, chamando-as erroneamente de “amor”. Em nossos tempos, o verbo “amar” tornou-se um agressivo sinônimo de vida auto-suficiente, de prazer imediato, conforto próprio, isolamento em si, fechamento na própria realidade. Aproximando-se dos apelos hedonistas e egoístas apresentados pelos padrões de vida hodiernos, o homem acaba por distanciar-se radicalmente da plenitude que o verdadeiro amor, e somente ele, pode forjar em seu coração.

O amor de Cristo, sim, é o verdadeiro. Entrega, oferta, renúncia e doação: estes são os sinônimos apropriados para o amor que realiza o coração. O homem de hoje sofre do tormento do desamor, do ódio a si próprio, justamente porque não ama. Viver para si é negar a si mesmo, é contrariar-se.   Engolfada em seu amor-próprio, que é na verdade um não-amor, a humanidade de hoje clama pelo conhecimento de um Amor real. Em seu “não amar” ou no ilusório “amar a si mesmo”, o homem trai o seu próprio coração, empobrecendo sua dignidade. O sacrifício de Cristo, no entanto, realidade sempre atual, aponta uma senda de felicidade, digna de confiança.

Olhos no Crucificado! Convida-nos Bento XVI. Deus é amor! Conforta-nos o Apóstolo João. Dizer que Deus é amor equivale a afirmar que Deus ama. O irresistível amor que nos é dedicado por Deus provoca em nós uma exigência. “Amai a Deus e ao próximo”, “Amai-vos uns aos outros”, entoam juntos o Deuteronômio e o Evangelho, a certeza de que amor gera amor. “Sendo Deus que nos amou primeiro[5]”, o amor já não é mais somente um mandato, é uma resposta ao dom do Amor com que Deus vem ao nosso encontro. O “mandamento” do amor se faz possível somente porque não é pura exigência: o amor pode ser “mandado” porque foi primeiro “doado”.

Tal amor que buscamos mora em Jesus, reside na sua “escola de entrega de si mesmo” para dar vida aos outros – a nós. Lembra-nos o Papa: “Na sua morte de cruz (…) ele se entrega para levantar o ser humano e salvá-lo[6].” O amor é este elevar o outro, ainda que isso implique em um “baixar” para si mesmo; é caridosa descida que levanta quem está caído. Este amor cristão tem sua medida refletida no próprio Jesus, que “vai em busca da ovelha que se perdeu, até encontrá-la (…) E achando-a, alegre a põe nos ombros[7] (…)”.

Criados à semelhança do Amor, despedaçamos nossa própria vida se não nos destinarmos a “viver de amor”, como bem afirmou Santa Teresinha. Vigorosos e felizes os que se põem a caminho de amar. Robusta, Madre Teresa de Calcutá reconheceu no rosto dos pobres a sua grande oportunidade de ser feliz: amou-os. Incansável, João Paulo II encontrou os jovens e convenceu-os a abrirem as portas a Cristo: amou-os. Felizes os santos e mártires que, a partir do seu encontro com o Deus-Amor, investiram tudo em um amar sem medidas. Para quem ama, tudo vale a pena.

“A alma que anda no amor, não cansa nem se cansa[8]”. Livremo-nos do “cansaço de viver” que tantos experimentam porque não amam! O sentido de nossa vida é refletir o verdadeiro rosto de Deus: o Amor!

 

 


 


[1] 1Jo 4,16.

[2] Bento XVI. Deus caritas est. Introdução, 1.

[3] Bento XVI. Deus caritas est. I Parte, 12.

[4] Idem.

[5] 1Jo 4,10.

[6] Idem.

[7] Lc 15,4-5.

[8] São João da Cruz. Ditos de luz e amor, 96.

Autor: Cristiano Pinheiro – Missionário da Comunidade de Vida Shalom
Fonte: ComShalom
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